TRAJECTÓRIAS DE JOVENS ROBOTEIROS NO MERCADO DE TRABALHO INFORMAL EM LUANDA
DOI :
https://doi.org/10.65754/1702k643Mots-clés :
juventude, migração interna, roboteiros, trabalho informal, redes de solidariedadeRésumé
O estudo tem como propósito compreender as trajectórias de jovens migrantes que trabalham como roboteiros em Luanda, identificando razões da migração, formas de ingresso na actividade, condições quotidianas, redes de solidariedade e expectativas de futuro. Adoptou-se uma metodologia mista, com predominância qualitativa: aplicaram-se 212 questionários em três mercados com elevada concentração de roboteiros e realizaram-se 16 entrevistas semiestruturadas a um subgrupo de participantes, complementadas por observação directa. Os resultados mostram que a falta de emprego e rendimento nas províncias de origem, os efeitos prolongados da guerra e a procura de melhores condições de vida impulsionam a migração. A inserção na actividade ocorre sobretudo por intermédio de amigos e familiares. O trabalho é marcado por esforço físico intenso, jornadas extensas, exposição climática, violência, habitação precária e ausência de protecção social institucional. Em contrapartida, redes primárias asseguram alimentação, alojamento, aquisição ou reposição do cangulo e auxílio em situações de doença. As expectativas concentram-se no emprego digno, na educação dos filhos, na habitação própria e na mobilidade ocupacional. O estudo implica políticas territorialmente equilibradas de emprego, formação, habitação e protecção social. A originalidade reside em articular trajectória migratória, quotidiano laboral, solidariedade e projectos de futuro de um grupo pouco estudado no contexto angolano.
Palavras-chave: juventude; migração interna; roboteiros; trabalho informal; redes de solidariedade
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