TOTONYA E RAMI
INTERSECÇÕES CULTURAIS E PROTAGONISMO FEMININO
DOI:
https://doi.org/10.65754/hh0vyx22Palavras-chave:
intersecções culturais, escrita feminina, protagonismo feminino, tradição oral, emancipaçãoResumo
Este artigo analisa as intersecções culturais na representação de Totonya e Rami, protagonistas, respectivamente, dos romances Totonya, de Rosária da Silva, e Niketche: Uma história de poligamia, de Paulina Chiziane. O propósito é compreender como as personagens enfrentam violência conjugal, subalternização e dependência económica, e como convertem deslocamento, solidariedade feminina e trabalho em formas de agência. Adoptou-se uma abordagem qualitativa, bibliográfica, documental e comparativa, apoiada na leitura interpretativa dos dois romances e de estudos sobre personagem, tradição oral, género e literaturas africanas de língua portuguesa. A análise organizou o corpus em quatro categorias: conjugalidade e violência; tradição, religião e direito costumeiro; mobilidade espacial; e autonomia económica e solidariedade. Os resultados mostram que ambas partem de posições urbanas marcadas pela monogamia e pela centralidade do casamento, atravessam territórios culturais desconhecidos e reconfiguram a própria identidade. Totonya rompe o ciclo de violência ao regressar a Luanda com os filhos e sustentar-se pelo trabalho; Rami transforma a rivalidade entre as mulheres de Tony numa rede de reconhecimento e emancipação económica. Conclui-se que as narrativas não apresentam tradição e modernidade como pólos fixos: expõem os usos patriarcais da cultura e, simultaneamente, recuperam saberes comunitários como recursos de negociação. A originalidade do estudo reside na comparação transnacional das trajectórias figurativas, evidenciando convergências entre Angola e Moçambique e diferenças nas estratégias de saída, resistência e reconstrução subjectiva.
Palavras-chave: intersecções culturais; escrita feminina; protagonismo feminino; tradição oral; emancipação.
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